Por que Cortejar?

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Nas regiões norte, centro-oeste e nordeste do Brasil, além das áreas rurais de alguns estados do sul e sudeste, a prática do cortejo é uma expressão da cultura popular tradicional. As pessoas vão às ruas para realizar homenagens solenes associadas aos mitos diversos da comunidade (mitos de morte e vida, de purificação, salvação, mitos associados ao cristianismo, ao candomblé, à cultura indígena, etc.). Esses referenciais são parte de um vasto campo do imaginário popular que traduz cotidianamente a relação entre o povo, suas crenças, seus símbolos.

Isso é político.12375284_938802872866437_8565841640472440881_o (1)

É político primeiramente porque as procissões, os cortejos, os cordões são uma ação coletiva que diz respeito à cidade como corpo plural em exercício de criação, representação e memória.

Também é político porque o que se manifesta nesses grandes encontros populares é a convocação de uma voz histórica, uma voz da tradição popular  desconstruída e reinventada, que se tece como uma frente de resistência à higienização das expressões sensíveis e simbólicas da população.

O Cortejo da Vovó – o Arrastão da
Vulva 
é a primeira atividade da Coletiva Vulva da Vovó de ocupação de espaços públicos,  uma primeira tentativa – experiência laboratorial – de ampliação da voz das atrizes para um plano ainda mais coletivo: a rua, o bairro, a cidade. Através do Cortejo, as Vulvas se dedicam a criar espaços de ficção e de reiterada realidade nos quais o saber ancestral feminino e a luta contra  o patriarcado e a militarização da vida são debatidos publicamente, esteticamente.

A rua, esse grande mar de gente, de leis, de carros, de luzes, é espaço onde somos todas transeuntes, baleias, nadadoras, a mergulhar fundo nos porquês sociais, políticos, artísticos de nossas incompreensões de mundo.

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Desse mundo.

Desse mundo que queremos transformar a todo instante, pelo justiçamento e eqüidade, por uma arte livre de saberes doutrinários, por um corpo diverso que desbrava sem medo as avenidas e seus afluentes.

 

cadernos de direção – reflexão sobre nossa primeira ação

dezembro de 2015

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