A relação entre Militarização do Estado/Mães políticas/Mídia deu origem ao processo da peça teatral Sobre as Baleias, trabalho inaugural da Coletiva Vulva da Vovó.

Desde janeiro de 2015, a Coletiva tem estudado as circunstâncias históricas em que as mulheres foram convocadas a participar da vida pública e do debate contra a militarização do Estado e da sociedade latinoamericana.

A partir dessas reflexões históricas, a dramaturgia e a encenação de Sobre as Baleias avançarão para contar a história, de modo fragmentado, de uma mãe alegórica que busca seu filho levado pela polícia em épocas paralelas: no período das ditaduras militares latinoamericanas e no tempo presente das periferias de São Paulo.

Para tanto, as integrantes do grupo se basearam em reflexões de autores como Piera Paola Oria, professora universitária no México e na Argentina na década de 70 que pesquisou profundamente a temática da mulher, e nos relatos das Mães e Avós da Praça de Maio (sociedade civil na Argentina que tem por objetivo  localizar e restituir as suas legítimas famílias todas as crianças seqüestradas pela ditadura militar argentina ), no âmbito dos Direitos Humanos. A Coletiva também tem estudado os processos de luta das mães de jovens negros que, sistematicamente, são presos, torturados ou assassinados pela Polícia Militar, no cotidiano das regiões periféricas da cidade de São Paulo – aí especifica-se um recorte de raça e classe fundantes da perseguição política institucional nos regimes democráticos.

Para sustentar a argumentação feminista, a Coletiva Vulva da Vovó conta com estudos sobre a teoria feminista desenvolvida em frentes interseccionais (raça, gênero, classe , região, idade etc.). Simone de Beauvoir, Suely Carneiro, Heleieth Saffiotti, Audre Lorde, Djamila Ribeiro, são algumas das autoras pesquisadas.

(Fotos do arquivo da Coletiva Vulva da Vovó e de Maria Augusta Batalha)

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